Análise Multicritério

A metodologia implementada neste projeto foi concertada entre os diversos participantes e validada pelo grupo de observadores.

O grande desafio do grupo de trabalho foi o de optar por uma metodologia que permitisse o apoio à tomada de decisão nas questões relativas à mitigação dos riscos de corrupção e a geração de uma dinâmica de gestão transparente.

Assumindo a impossibilidade de alcançar a solução ótima, foi adotada uma abordagem de análise multicritério, que permitiu orientar a tomada de decisão face à coexistência de multiobjetivos e opiniões diversas entre o grupo decisor, a qual contou com a validação do grupo de Observadores.

A implementação efetiva das decisões tomadas e a subsequente criação deste guia virtual e interativo que fornece informação de referência sobre o combate à corrupção, bem como uma ferramenta prática de aferição do grau de exposição ao risco e medidas de boas práticas de gestão de riscos de corrupção, teve por base um processo desenvolvido entre diversas sessões de estruturação do problema e avaliação do mesmo:

Estruturação – Desconstrução e compreensão aprofundada do problema.

a) Perceção geral do problema e adoção de uma abordagem ao tema:

i. Parte teórica: definição de objetivos e mensagem do projeto, recolha de informação sobre cada parceiro, e seleção da bibliografia que constitui a base de conhecimento que suporta o projeto;

ii. Parte prática: segmentação das medidas de implementação de acordo com a sua abrangência e objetivos que se propõem alcançar e adoção de uma tipologia que contempla medidas de diagnóstico, orientação, intervenção e monitorização, que se interligam segundo um processo de melhoria contínua de gestão e garantia de práticas transparentes e anticorrupção:

Para cada tipo de medidas foram organizados grupos de trabalho entre os parceiros do projeto, cada um dos quais, tendo um porta-voz responsável pelas tarefas associadas às medidas a selecionar, caracterizar e apresentar.

b) Enquadramento legal e teórico da corrupção:

 i.     Descrição dos principais conceitos relacionados com a corrupção e o seu combate;

 ii.     Levantamento e análise de legislação nacional e internacional.

c) Construção de um inquérito para avaliação dos riscos de corrupção a que uma entidade está exposta, tendo por base a identificação de vários parâmetros chave relativos à atividade da organização, à sua envolvente e aos seus parceiros comerciais. Estes parâmetros dão origem às variáveis quantitativas que são contempladas no cálculo da exposição aos riscos de corrupção e critérios de indexação de recomendações das medidas de prevenção da corrupção do simulador virtual interativo, disponível no site. Neste sentido, foram definidas questões relativas à dimensão da organização, origem do seu capital social, países em que a entidade tem atividade [1], setor de atividade da entidade[2], existência ou não de relação com a Administração Pública, intermediários e parceiros de negócio (ver inquérito).

d) Definição de medidas preventivas de apoio à eficácia da gestão das organizações na luta contra a corrupção e promoção da transparência e descrição  típica do seu conceito, propósitos, sugestões de boas práticas e exemplos.

e) Critérios de ponderação da importância das variáveis para quantificação do grau de exposição ao risco e correspondente indexação de recomendações das medidas de prevenção da corrupção e de promoção da transparência.

f) Calendarização de todas as ações, atribuição das respetivas responsabilidades e momentos para interação.

Avaliação – Sessões de apresentação das decisões para cada etapa intercalar onde se aferiu o grau de preparação coletiva e o nível de consenso da adoção de cada opção.

Esta dialética teve por base a análise da robustez das explicações e justificações dos responsáveis das tarefas. Foram analisadas as revisões e críticas por todos os intervenientes do projeto, por forma a garantir o consenso do grupo em cada decisão. Cada sessão foi iniciada revisitando os resultados das decisões anteriores.

O sucesso da efetiva implementação da análise multicritério deveu-se ao caráter relacional do grupo de trabalho: abertura, participação, tolerância e transparência.

[1] Atribuição do valor para os países tem por base o Corruption Perception Index 2012 da Transparency International.
[2] Atribuição do valor para os setores tem por base o Bribe Payers Index 2011 da Transparency International